‘Of my beginning’ / “Do meu início” — ESPIGA Pinto, 2010

Of my beginning

Some works from 1959-1966 in my 80th solo exhibition at Galeria de São Mamede – Lisbon.  

From 1960 to today, 2010, 50 years have passed… and here the memory of Almada Negreiros stands out, with regard to the impediments and maligning against my early work of the 1960s, since during a conversation in 1969 — in my studio in Lisbon (which had also belonged to Columbano and to my Master sculptor Martins Correia) – Master Almada told me: “never give up”… (the sentence is longer and more complex)…  

In 2005, I celebrated 50 years of solo exhibitions  

In 2008, I celebrated 50 years of engraving and silkscreen printing  

In 2010, I am celebrating 50 years of sculpture. 

Today I am 70 years old, and I have ‘never given up’… despite the continuing voices of the ‘old men of Restelo’, the symbolic naysayers of ‘our’ Lusíadas by Luis de Camões…  

Some ‘voices’ did not understand my journey, others did… My work has always had the LUSIAD theme. 

Thus, in my ‘Fatherland-Motherland’, I initiated my vision of the world. In the Alentejo of 1940, experiencing the customs, folklore and tales were the delight of my childhood.  

After leaving the degree in sculpture at the Lisbon School of Fine Arts (ESBAL), in 1960 I returned to the Alentejo.  

I relived my childhood with a different ‘sight’…  

The fields, the work, the peasant farmers, peasant women and horses, in a symbiosis between the harshness of working from dawn to dusk, and experiencing the tradition of clothing, the markets, the olive oil mills, the religious-pagan popular celebrations, the feasts at the end of the olive harvest…  

A childhood in which I learned so much.  

I lived in fascination of knowing that I had been born in the same house as the painter Henrique Pousão (a distant cousin, according to my maternal grandmother).  

I would dream of being a painter.  

And at the age of seven I made my first easel and went to draw and paint in the castle of Vila Viçosa… alongside the painters who usually painted there… and I was thrilled… to behold the alchemy of transforming a white canvas and paints into a painting. Also, during my childhood in Vila Viçosa, I would spend many days in front of a stonemason’s workshop and watch the metamorphosis as a female form (a Virgin in a cloak) emerged from inside a block of stone. It was truly astonishing…  

The fascination with colour and volume was part of my way of living and still is.  

I lived in a house where every day horses and wooden carts passed in front of my door, where there were also stables… today, for what they symbolise, combining beauty, form and capacity for movement… I have a fascination with the amazing and vertiginous horse.  

I was surrounded by women… Mother, great aunts, cousins, maids… and the peasant women who passed by on the street.  

The shapes of my homeland have been with me since I was born, but if I had remained solely focused on the theme of ‘Alentejo’ in my artwork, it would have been as if human beings had not yet left prehistory… Yet my great pull to research led me to take part in the adventure of knowledge and to think: “Art is Life” and “Life is Art”.  

Upon that return to the Alentejo, in 1960-1966, my ‘childhood memories’ and the ‘tradition’ that was still alive, became the cosmic meaning of my life and the decision to… 

‘Sing the Alentejo’. 

And here in the Alentejo, where I live, I have started a project based on ‘drawing’, the foundation of great artworks, a writing without writing characters… Thus, in the expressions of Art, there are:  

23 Symbols for writing  

12 Symbols for composing music  

3 Symbols for drawing: Dot – Line – Surface 

In this synthesis, the cosmic writing in a triad, the elementary nature of this 3-symbol ‘alphabet’, is the ‘matter’ with which to build my ‘drawing symphonies’…  

And it is DRAWING which is the great foundation of my SCULPTURE. 

ESPIGA Pinto

in Catalogue of the exhibition ‘Of my beginning’, 2010

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Do meu início  

Algumas obras de 1959-1966 na minha 80ª exposição individual, Galeria de São Mamede – Lisboa.  

De 1960 até hoje 2010, passaram 50 anos…e aqui a memória de Almada Negreiros sobrepõe-se, a propósito dos impedimentos e maledicências à minha obra inicial dos anos 60, pois numa conversa em 1969 – no meu atelier em Lisboa (que foi o do Columbano e do meu mestre escultor Martins Correia) – mestre Almada disse-me: “nunca desista”… (a frase é mais longa e mais complexa) …  

Em 2005 comemorei 50 anos de exposições individuais  

Em 2008 comemorei 50 anos de gravura e serigrafia  

Em 2010 comemoro 50 anos de escultura.  

Hoje tenho 70 anos e “nunca desisti”…apesar da continuidade das vozes dos “velhos do Restelo”, imagem simbólica dos “nossos” Lusíadas de Luis de Camões…  

Algumas “vozes” não perceberam o meu percurso, outras sim… Desde sempre que a minha obra tem a temática LUSIADA.  

Assim, na minha “Pátria-Mátria” iniciei a minha visão do mundo. No Alentejo de 1940 a vivência dos costumes, imaginário e lendas, deliciaram a minha infância.  

Após a saída do curso de escultura da ESBAL (Escola Superior de Belas- -Artes de Lisboa), em 1960, regressei ao Alentejo.  

Revivi a infância com outro “ver”…  

Os campos, o trabalho, os camponeses, camponesas e cavalos, numa simbiose entre a dureza do trabalho de sol a sol e a vivência da tradição do vestuário, das feiras, dos lagares de azeite, das festas populares, religiosas-pagãs, as festas do acabamento da apanha da azeitona…  

Infância em que muito aprendi.  

Vivia fascinado por saber que tinha nascido na mesma casa que o pintor Henrique Pousão, (ainda primo, na versão da minha avó materna).  

Sonhava ser pintor.  

E aos sete anos construi o meu primeiro cavalete e fui desenhar e pintar para o castelo de Vila Viçosa…ao lado de pintores que normalmente por ali pintavam…e eu, entusiasmado… observava a alquimia de transformar uma tela branca e tintas numa pintura. Também nesta minha infância em Vila Viçosa, passava ao longo de muitos dias em frente a uma oficina de canteiro e ia assistindo à metamorfose, pois de dentro de um bloco de pedra, via sair uma forma feminina (Virgem com manto). Era verdadeiramente fantástico…  

O fascínio pela cor e pelo volume eram parte do meu viver e continuam a ser.  

Vivia numa casa onde todos os dias os cavalos e carros de madeira passavam à frente da minha porta, onde também havia cavalariças…hoje, pelo que simbolizam, aliando a beleza a forma e a capacidade de movimento…tenho um fascínio pelo fantástico e vertiginoso cavalo. Estava rodeado de mulheres…Mãe, tias avó, primas, empregadas…e as camponesas que passavam na rua.  

As formas da minha terra natal acompanham-me desde que nasci, mas se tivesse permanecido exclusivamente com o tema “Alentejo” na minha obra, era como se o ser humano ainda não tivesse saído da pré-história… Mas o meu grande sentido de investigar, levou-me a participar na aventura do conhecimento e a pensar: “A Arte é a Vida” e “A Vida é a Arte”.  

Naquele regresso ao Alentejo, 1960-1966 as “memórias de infância” e a “tradição” ainda em actividade, assumiram o sentido cósmico da minha vida e a decisão de…  

“Cantar o Alentejo”. 

E aqui no Alentejo onde vivo, iniciei um projecto com base no “desenho”, suporte das grandes obras, escrita sem caracteres de escrita…Assim nas expressões da Arte, existem:  

23 Símbolos para escrever  

12 Símbolos para compor música  

3 Símbolos para o desenho: Ponto – Linha – Superfície  

Nesta síntese, a cósmica escrita em tríade, a elementaridade deste “alfabeto” de 3 símbolos, é a “matéria” para construir as minhas “Sinfonias de desenho”…  

E é este DESENHO o grande suporte da minha ESCULTURA.  

ESPIGA Pinto

Texto para catálogo da exposição “Do meu início”, Galeria São Mamede, 2010.


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